Sem categoria https://rgatecnologia.com.br Aeroclube Santa Catarina Sat, 01 Aug 2026 12:34:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.1 https://rgatecnologia.com.br/wp-content/uploads/2026/08/cropped-favicon-32x32.png Sem categoria https://rgatecnologia.com.br 32 32 Uma lição do Voepass: experiência e consciência situacional https://rgatecnologia.com.br/uma-licao-do-voepass-experiencia-e-consciencia-situacional/ Sat, 01 Aug 2026 12:34:12 +0000 https://aeroclubesc.com.br/?p=3008 Por Salvador Gomes
Sócio do Aeroclube de Santa Catarina

Em aviação, um acidente é sempre uma oportunidade de aprender – muito, algumas vezes. O caso mais recente em debate, o acidente com o voo Voepass 2283, que caiu em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024, e cujo relatório final foi publicado recentemente, reserva suas lições. Uma delas, talvez das mais importantes, diz respeito a um conceito que ocupa recorrentemente aulas, práticas de voo e palestras em Centros de Instrução de Aviação Civil (CIACs) pelo país: a consciência situacional.

A tripulação do ATR-72, com a experiência que tinha, certamente ouviu e debateu muito sobre o conceito desde seus primeiros voos de formação profissional. Comandante e copiloto tinham, cada um, mais de 5 mil horas de voo. Eram extremamente qualificados e estavam em dia com os treinamentos, as habilitações e os exames médicos, conforme o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Por que, então, o voo não pousou em segurança em Guarulhos, São Paulo, como estava planejado? A resposta, é claro, tem muitos detalhes. E só está completa na extensão e no profissionalismo impresso nas 266 páginas do relatório do Cenipa. Qualquer outra forma de tentar estabelecer uma resposta conclusiva fora desse trabalho minucioso da investigação é um recorte, uma visão parcial, um viés limitado.

Aprender é o objetivo

Em aviação, o levantamento dos fatores que contribuem para uma acidente não tem como objetivo atribuir culpa. Trata-se de aprender. E uma (porque este é um recorte) das lições que se pode destacar desse relatório vêm lá das primeiras aulas, da instrução básica. Certamente, foi nos aeroclubes que frequentaram que comandante e copiloto do Voepass 2283 ouviram pela primeira vez lições sobre consciência situacional, sobre saber em que condições se está no voo.

Ambos, como quase todos os aeronautas brasileiros, começaram sua formação profissional em aeroclubes brasileiros. Lá, certamente escutaram frases de hangar como “voe sempre à frente do avião”; “nunca se coloque numa situação de voo em que sua cabeça não esteve muito tempo antes”… Esses ditos, que resumem horas de instrução, apontam para a necessidade de o aeronauta estar sempre atento à situação em que se encontra e antecipar o rumo dos eventos.

Nas primeiras aulas de voo, parece algo impossível prestar atenção a tantos detalhes. No entanto, com o acúmulo de experiência, o piloto em formação se habitua cada vez mais aos checklists, aos procedimentos, à fraseologia e a tudo mais. E, com a experiência, pode vir uma armadilha.

História de um pouso

O famoso escritor e aviador americano Richard Bach admite um deslize ao fazer um relato pessoal na sua coletânea de textos O Dom de Voar, de 1974. Ele pilotava com um grupo de companheiros que se preparava para pousar em uma pista de grama, próximo ao entardecer. Estavam em quatro pilotos, cada qual em um avião: Bach (ex-piloto militar), um colega de linha aérea em férias, um piloto de voo charter e um novato.

Bach estava apreensivo por ter alguém com pouca experiência no time e foi o primeiro a se aproximar para o pouso. Teve muita dificuldade para controlar a aeronave na final. Os outros veteranos pousaram em sequência, seguindo Bach, e se reuniram à beira da pista. Todos contaram suas dificuldades no pouso, falando de uma espécie de “armadilha” dos ventos sobre a grama.

Chamaram o novato pelo rádio e o advertiram da situação. Mas ele se aproximou e pousou sem problema, com tranquilidade. Foi um pouso “lindo, lindo”, escreveu Bach. Só que foi no sentido contrário da aproximação de todos os outros. Ao encontrar os veteranos à beira da pista, depois de desligar o motor da aeronave, o novato perguntou: “vocês não viram a biruta?”

E Bach é preciso no texto: “que se pode fazer, quando um piloto tão bom como eu ou você tem um lapso ocasional? A resposta continua a mesma: educação. Só que, neste caso, ela não depende de quantas vezes a gente aterrissou ou decolou, e sim de não esquecer que não se pode voar meio acordado ou por força do hábito”.

Experiência e proficiência

Tal qual a crônica de Bach esclarece: ter experiência não garante a consciência situacional. Por isso, manuais de aviação tratam da diferença de experiência e proficiência. Voar muito, nas mesmas condições, por “força do hábito”, pode baixar o alerta dos aeronautas. Sinais, alarmes e informações relevantes podem virar paisagem. Criam-se a cegueira e a surdez por desatenção, dois fatores contribuintes listados no relatório final do Cenipa no caso do Voepass.

Claro que a história completa deste acidente é aquela contada no documento oficial. Lá estão os motivos mais prováveis que levaram à degradação da consciência situacional por uma tripulação capaz e bem treinada. O relatório, aliás, mostra que a cadeia de eventos começou muito antes do cockpit e da preparação daquele voo em específico.

Esta é uma das lições desta história: a consciência situacional não pode ser encarada como um diploma ou um prêmio por experiência. Ela é construção, proficiência, renovação que se repassa a cada aula, treinamento, teste, voo, debate, palestra ou vivência de hangar.

Por isso, os CIACs do país, tal como o Aeroclube de Santa Catarina, entidade fundada em 1937 e formadora de pilotos até a atualidade, se esforçam para ampliar a educação aeronáutica profissional, com palestras, aulas, instruções, debates… Recursos que fazem uso da melhor ferramenta para qualquer aeronauta profissional: a educação.

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Ventos – 2 https://rgatecnologia.com.br/ventos-2/ https://rgatecnologia.com.br/ventos-2/#respond Tue, 15 Sep 2020 15:08:28 +0000 https://aeroclubesc.com.br/?p=1339 Hoje iremos retomar ao nosso assunto sobre ventos. Vamos começar falando sobre a circulação dos ventos.

Sabemos que o vento sopra da alta para a baixa pressão e que ele sofre o efeito da força de Coriolis, que provoca um desvio para a esquerda no hemisfério sul e para a direita no hemisfério norte. Em função dessas forças, os centros de pressões adquirem características próprias em cada hemisfério.

HEMISFÉRIO SUL

Alta pressão:

  • Vento divergente
  • Anticiclônico
  • NOSE    
  • Bom tempo
  • Vento fraco
  • Afundamento

Baixa pressão:

  • Vento convergente
  • Ciclônico      
  • NESO    
  • Mau tempo
  • Vento forte
  • Elevação   

HEMISFÉRIO NORTE

Alta pressão:

  • Vento divergente
  • Anticiclônico
  • NESO
  • Bom tempo
  • Vento fraco
  • Afundamento

Baixa pressão:

  • Vento convergente
  • Ciclônico
  • NOSE
  • Mau tempo
  • Vento forte Elevação

Circulação geral

A circulação tenta explicar de forma abrangente a circulação predominante dos ventos em escala global. A região equatorial absorve mais energia solar do que os polos, tornando-se mais quente, com isso o ar equatorial mais leve se eleva para níveis mais elevados, movendo-se em direção aos polos, quando então se resfria e desce. Cria-se, portanto, uma área de alta pressão nos polos e uma área de baixa pressão na região equatorial.

Célula de Hadley (Célula tropical)

O ar quente da região equatorial se eleva até atingir a tropopausa, que funciona como uma barreira vertical para a movimentação do ar, fazendo com que ele passe a se mover na direção dos polos. A célula de Hadley fica localizada entre as latitudes 0° e 30° de cada hemisfério

Célula de Ferrel (Célula de latitudes médias)

O ar flui no sentido dos polos nos níveis inferiores e no sentido do Equador nos níveis superiors. Fica locaizada entre as latitudes 30° e 60° de cada hemisfério.

Célula Polar

O ar desloca-se dos polos em direção aos trópicos, onde se aquece e retorna novamente aos polos em níveis superiors. Fica localizada entre as latitudes 60° e 90° de cada hemisfério.

Circulação do ar em níveis inferiores

Célula de Hadley

  • Ventos alíseos soprando das áreas de alta pressão (trópicos) para áreas de baixa pressão (Equador)
  • No hemisfério sul os ventos alísios são de sudeste (SE)
  • No hemisfério norte os ventos alísios são de nordeste (NE)

Célula de Ferrel

  • Ventos soprando dos trópicos para os polos, com predominância de oeste (W) em ambos os hemisférios

Célula Polar

  • Ventos soprando dos polos para os trópicos, com predominância de este (E) em ambos os hemisférios

Circulação do ar em níveis superiores

Contra-alíseos

  • No equador, os ventos alíseos ascendem e resfriam-se nos níveis mais altos, perdendo umidade por condensação e precipitação
  • Neste processo surgem os ventos contra-alíseos, que movem-se de SW no hemisfério Norte e de NW no hemisfério Sul

Correntes de jato (Jet Stream)

  • Fortes correntes de ar com deslocamento horizontal
  • Possuem velocidade acima de 60kt, podendo atingir velocidades superiores a 300kt em seu núcleo.
  • Sopram de oeste para leste, apresentando maior intensidade no inverno (de cada hemisfério)
  • Nebulosidade: o tipo mais comum de nebulosidade associada à corrente de jato é o Cirrus uncinus ou rabo-de-galo, que aparece na parte central da corrente com seus tufos indicando para onde sopra o vento.

Zona de convergência intertropical (ITCZ)

Está localizada na região equatorial, originária da convergência dos ventos ascendentes resultante do encontro das células Hadley. A sua localização sofre pequenas variações, mantendo-se geralmente em latitudes pouco acima do Equador.

Em Janeiro a ITCZ se aproxima mais do hemisfério sul, já em Julho ela se move para o hemisfério norte.

Ela é caracterizada pela baixa pressão, alta umidade, alta temperature e pela formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, como os Cumulonimbus (CB).

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Calor https://rgatecnologia.com.br/calor/ https://rgatecnologia.com.br/calor/#respond Tue, 16 Jun 2020 19:18:51 +0000 https://aeroclubesc.com.br/?p=1029 Olá pessoal, semana passada conversamos sobre temperatura, hoje daremos continuidade falando sobre calor.

Iremos ver quais são os processos de transmissão e transferência de calor.

Processos de transmissão de calor

  • Condução – se dá pelo contato entre os corpos
  • Radiação – por meio de onda eletromagnética, sem contato entre corpos
  • Convecção – transferência de calor na vertical
  • Advecção – transferência de calor na horizontal (vento)

Agora vamos ver mais detalhadamente sobre cada processo que foi citado acima:

Condução

  • Transferência de calor que ocorre por contato. Alguns objetos tem uma maior facilidade nesse tipo de transferência, como o metal, já outros objetos são considerados maus condutores, como o ar e a madeira.
  • Esse processo de transmissão é responsável pelo aquecimento do ar em contato com o solo, que é responsável pela formação de alguns tipos de nevoeiros.

Radiação

  • Já a radiação é a transmissão de calor através de ondas eletromagnéticas, e a intensidade da transmissão irá variar de acordo com a temperatura do corpo.
  • Nesse caso não temos a necessidade de haver contato entre os corpos para haver a transferência de calor. Como um bom exemplo temos a radiação solar emitida pelo sol

Convecção

  • O calor é transferido através de movimentos verticais do ar, resultando em correntes convectivas (ou verticais)
  • O ar que está mais quente, consequentemente está menos denso, e tenderá a subir na atmosfera, ocorrendo o contrário com o ar que está mais frio, que fica mais denso e acaba descendo.
  • A formação de nuvens com desenvolvimento vertical, como por exemplo os cumulonimbus, está totalmente relacionada a esse tipo de transferência de calor.

Advecção

  • A diferença da advecção para a convecção é que na advecção o transporte se dá através de movimentos horizontais do ar.
  • Um exemplo muito comum que é responsável pela transferência de calor por advecção é o vento.
  • Esse tipo de processo de transmissão é responsável pela formação dos nevoeiros de advecção

Thiago Bortolotti – Instrutor de voo

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